CHÁS PUROS

Quando usamos o termo chá estamos a referir-nos somente a infusões obtidas a partir das folhas da camellia sinensis: a planta do chá. 

A camellia sinensis permite uma infinita diversidade de sabores e aromas, ou seja, de chás diferentes. À semelhança da mestria presente na produção de um bom vinho, muitos são os detalhes envolvidos na criação de um chá de qualidade: características do arbusto, região de origem ou terroir, condições de cultivo, tipo de colheita (seleção de folhas e rebentos e sazonalidade), processamento e grau de oxidação, aromatização entre outros. 

A arte da manufactura do chá convoca um saber milenar, e procura incessantemente métodos e segredos para obter perfumes e sabores surpreendentes. Nessa vasta oferta, tudo começa nos chás puros, ou seja, chás que são processados sem adição de quaisquer aromas, para além dos naturalmente existentes nas suas folhas. São seis os tipos de chá existentes – Branco, Verde, Amarelo, Azul, Preto e Vermelho - distinguem-se desde logo mediante o grau de oxidação das folhas, do menos oxidado até ao mais oxidado, as folhas apresentam cores diferentes, assim como as infusões delas resultantes. Os chás puros constituem a base de uma infinidade de outras misturas ou blends, para conhecer genuinamente cada tipo de chá, nada melhor que uma taça de chá puro.    

CHÁ BRANCO 

O chá branco é produzido a partir dos primeiros rebentos do ano normalmente cobertos por uma pelugem branca, e por vezes das pequenas e delicadas folhas adjacentes. 

É o chá menos processado e resulta da secagem dos botões ao sol. De sabor aveludado e levemente floral, é considerado o tipo de chá que concentra a maior quantidade de substâncias benéficas para a saúde.

O chá branco mais apreciado e raro é o Agulhas de Prata ou Bai Hao Yinzhen, seguido do Pai Mu Tan ou Peónia Branca, e do Shou Mei ou Sobrancelha da Longevidade, provenientes da região chinesa de Fujian.    

 


CHÁ AMARELO

O amarelo era a cor do imperador, e este chá uma raridade reservada à corte imperial. Ainda hoje é um chá raro de preço elevado. 

O seu processo de produção é semelhante ao do chá verde, mas mais complexo: após a secagem e desativação do processo de oxidação, as folhas voltam a ser humedecidas e secas. Este tipo de processamento faz com que o chá revele uma maior riqueza de aromas, e uma subtil cor dourada. 

O sabor possui a frescura de um chá verde e a leveza e suavidade de um chá branco. 

Um chá amarelo de grande qualidade é o Jun Shan Yin Zhen oriundo da ilha de Junshan localizada no lago Dongting na província de Hunan.   








CHÁ PRETO

As folhas do chá preto são submetidas a um processo de oxidação quase total. Com a oxidação estas ganham tonalidades mais escuras e douradas, os diversos aromas naturais que possuem amadurecem e intensificam-se. As infusões têm por isso um sabor rico e marcante, com brilhantes tons dourados e acobreados, que fazem com que na China o chá preto seja conhecido como chá vermelho.

Tratando-se de um tipo de chá muito apreciado no Ocidente, existe uma gigantesca oferta disponível. Entre os mais valorizados estão os chás da Índia e da China, provenientes de famosas regiões de origem: o Darjeeling, rico em notas florais e de gosto opulento e delicado, conhecido como o champanhe dos chás, os chás pretos de Assam, de Dooars e  Nilgiri, com sabor vibrante e profundo, ideais para o início do dia, vindos da Índia; o requintado Keemun com notas de madeira, cacau e frutos secos ou os chás pretos de Yunnan de complexo sabor maltado, oriundos da China.

De sublinhar ainda os chás do Ceilão (Sri Lanka) como o romântico Lovers’ Leap, um chá perfumado da região de Nuwara Eliya. 

Em Portugal a Fábrica de Chá Gorreana, produz na ilha de S. Miguel um fabuloso chá preto de folha inteira com aroma atlântico: o Ponta Branca.  



 


CHÁ VERDE

As folhas deste tipo chá exibem uma bela cor verde, e devem-no a métodos de aquecimento, através de wok na China ou vapor no Japão, que permitem evitar o processo de oxidação. As infusões têm um sabor fresco, vegetal, ligeiramente adstringente e por vezes frutado e tostado. 

O chá verde tem sido alvo de inúmeros estudos científicos que confirmam os seus efeitos anti-envelhecimento. Entre os chás verdes mais valorizados estão: o Long Jing ou Poço do Dragão, o Bi Luo Chun, o Mao Feng e o Da Fang, da China, e o Gyokuro, um chá muito raro, o Matcha, o chá da cerimónia do chá, e o popular Sencha, produzidos no Japão. 

Em Portugal é manufaturado o poético Encosta da Bruma, um chá verde artesanal e biológico oriundo dos jardins de chá da Gorreana em S. Miguel.


CHÁ OOLONG

Oolong significa «dragão negro» e é um chá muito apreciado na China pela exuberância e amplitude de aromas que apresenta. Este tipo de chá é parcialmente oxidado, e pode ter diferentes graus de oxidação entre o chá verde e o chá preto. Os chás oolong menos oxidados têm aromas florais com notas de narciso, jacinto e lírio-do-vale e um sabor fresco e aveludado. Os chás próximos do chá preto são ricos em aromas frutados de pêssego ou alperce, e possuem um sabor doce levemente tostado. 

A manufactura de alguns destes chás é artesanal e complexa, especialmente no caso dos oolong de folhas inteiras enroladas que se assemelham a pérolas barrocas. Alguns dos mais conhecidos oolongs são produzidos na região de Fugian na China, como o Tieguanyin ou Deusa da Misericórdia, um oolong «verde» e floral, e o Da Hong Pao ou Grande Manto Vermelho, de sabor rico e profundo. Na ilha Formosa (Taiwan) são também manufaturados alguns dos mais raros oolongs como o Tung Ting da região de Sungpoling, um dos melhores oolongs verdes, e o Amber Oolong da região de Nantou, um chá mais oxidado de sabor redondo com um toque fumado e reminiscências de chocolate negro. 

Com um bouquet de aromas rico e pleno, as folhas destes chás permitem normalmente várias infusões.


CHÁ VERMELHO (PU-ERH)

O chá vermelho é originário da região de Yunnan no sudoeste da China, considerada o berço do chá. As folhas deste tipo de chá provêm de gigantescas árvores ancestrais e possuem características únicas. Os segredos da manufatura do Pu-erh remontam à dinastia Tang (618-907) e têm evoluído ao longo dos séculos. 

O Sheng Pu-erh ou «Pu-erh Cru» é manufaturado de modo tradicional: este adquire uma maior textura e complexidade por meio de um processo de fermentação lento e natural - fermentação e não oxidação como acontece nos chás oolong e preto – que pode durar 25 anos ou mais, como num bom vinho. O Shou Pu-erh ou «Pu-erh Cozido» resulta de um processo de fermentação controlado industrialmente, criado nos anos 70, que permite em cerca de 2 meses conseguir um sabor próximo do Pu-erh tradicional. 

O Pu-erh envelhecido naturalmente é o mais caro e apreciado. Este pode também ser consumido fresco, mas se for guardado durante alguns anos, em condições adequadas, vai ganhando um sabor mineral rico e intenso que permite sucessivas infusões.

As folhas destes chás apresentam-se prensadas em diversos formatos ou soltas. Por vezes as infusões têm uma cor escura, razão porque na China é conhecido como chá preto. O Pu-erh é muito valorizado pelas suas propriedades medicinais: reduz o colesterol, é digestivo e depurativo. 

Ao comprar este chá é importante ter em atenção: o ano de produção, o tipo de Pu-erh, o produtor e a região de origem. Duas fábricas prestigiadas são: a Menghai Tea Factory e a Xiaguan Tea Factory situadas em Yunnan.