CHÁS FLORAIS

Os chás perfumados com aroma de flores resultam de misturas de chás puros, preferencialmente de chás de sabor leve como o branco, o verde ou o oolong, com flores ou essências de flores. O segredo de um bom chá floral está na harmonia conseguida entre o aroma e sabor de um chá e o misterioso perfume de cada flor eleita. 

Segundo documentos históricos os chás de flores remontam à dinastia Song (960-1279) e atingiram a excelência com a dinastia Ming (1368-1644). Muito apreciados pelo Imperador, os chás de flores cativam também pela experiência estética que proporcionam, em especial as surpreendentes flores de chá. Originárias da região de Yunnan, no sudoeste da China, conhecidas como Gong Yi Hua Cha, as flores de chá evocam contos antigos e poesia da cultura chinesa, trazem consigo uma narrativa que se revela ao longo do processo de infusão: dos “botões” de chá surgem inesperadas flores num espetáculo visual e aromático único - um testemunho do saber milenar dos artesãos da terra natal do chá. 

Jasmim, rosa, orquídea, flor de osmanthus e lótus são algumas das flores mais usadas nos chás florais.

FLORES DE CHÁ 

Se cada flor de chá tem uma história para contar, mediante o tema de inspiração do seu autor, algumas falam de amor, outras de coragem e heroísmo, e existem também aquelas que asseguram ter sido criadas para atrair acontecimentos felizes - não se tratando de poções mágicas, conquistam desde logo o amante de chá mais supersticioso.

As «flores de chá da fortuna» aliam normalmente um rico bouquet floral, de rosas ou orquídea e jasmim, ao aroma e sabor das longas folhas de dois tipos de chá: branco e verde.



CHÁ SAKURÁ

A tradição japonesa de contemplação da beleza das flores é ancestral. «Hanami» traduzido literalmente significa «apreciar a flor», atualmente designa um ritual de celebração do florescimento das cerejeiras (sakurá) e da chegada da Primavera. Durante uma semana, tempo de vida dessas delicadas flores, as festividades têm lugar um pouco por todo o Japão, - junto aos templos, parques da cidade e outras zonas de lazer – japoneses, e também alguns turistas, comem e bebem junto das cerejeiras em flor, encantados com a sua beleza, que se sabe efémera, e que, especialmente por isso, deve ser festejada a cada ano. 

Inspirado no Hanami, este chá evoca os aromas dessa celebração, aliando o sabor do chá verde japonês sencha à subtileza do perfume da flor de cerejeira.



CHÁ ROSE CONGOU


O chá perfumado Rose Congou é um chá tradicional da China. «Congou» tem origem no termo chinês «Kung fu» que para além de arte marcial também designa o que é feito com grande empenho e disciplina para conseguir alcançar a excelência. 

O processo antigo de manufactura deste chá é esmerado e minucioso, semelhante ao utilizado nas pérolas de jasmim: as folhas de chá preto tinham contacto com pétalas de rosas frescas durante pelo menos sete noites, para que o seu perfume envolvesse as folhas de chá. Note-se que as folhas de chá usadas não poderiam ser partidas em nenhum momento e as pétalas de rosa eram substituídas várias vezes para garantir a frescura do aroma. Por fim, as folhas de chá ainda inteiras seriam enroladas em finas tiras perfumadas. 

Este era um chá muito apreciado durante a dinastia Ming (1368-1644) na China e mais tarde também no Ocidente, existem poemas em língua inglesa, dos séculos XVIII e XIX, em que este chá é citado com a grafia «Congo», a finura do aroma de rosas era muito apreciado durante esse período. 

Hoje é ainda possível apreciar um bom chá com o perfume delicado da rosa, produzido a partir de chá preto ou de chá verde, por vezes decorado com pétalas, mas o chá Rose Congou feito de modo tradicional é atualmente uma raridade. 



CHÁ DRAGON PEARL JASMINE

Este chá chinês cultivado nos jardins de chá de Fu’an, na região montanhosa de Fujian é considerado ímpar pelo seu perfume e sabor. Longas e frescas folhas de chá são colhidas na primavera e repousam até ao final do verão, época em que as flores de jasmim exibem todo o seu esplendor. Para que conservem a sua frescura as flores são apanhadas aos primeiros raios de sol da manhã, mas só à noite, quando exalam o seu inebriante perfume é que serão finalmente misturadas com as folhas de chá, o que acontece durante sete noites. Imbuídas do aroma doce do jasmim as folhas de chá verde são enroladas manualmente formando pequenas pérolas de chá. A infusão clara e límpida destas fabulosas pérolas é um prazer imperdível para qualquer apreciador de chás de flores.


CHÁ MAO FENG DE FLOR DE OSMANTHUS

O chá verde Huangshan Mao Feng é um dos chás mais famosos na China, produzido junto das míticas montanhas de Huangshan, na reconhecida região de cultivo de chá Anhui, situada no sudeste chinês. Exótica e primorosa a flor de osmanthus possui um perfume de flores brancas, ligeiramente frutado, tido como «o aroma da felicidade» pela forma como influencia positivamente o humor e afasta sentimentos de ansiedade e stress. Apesar de rara, esta pode ser disfrutada nas belas paisagens de «Guilin», que quer dizer «floresta de osmanthus doce», e é também conhecida como «Jardim do Éden chinês», situada na região de Guangxi Zhuang. Ao aliar um chá verde distinto pelo seu sabor macio e leve, como é Mao Feng, ao aroma frutado da flor de osmanthus, o resultado é uma bebida cristalina de cor verde clara, com suculentas notas de damasco e um sabor floral-frutado num equilíbrio revigorante.  


CHÁ DE FLOR DE LÓTUS VIETNAMITA

A flor de lótus é uma flor aquática, que emerge em lagos de água límpida e fundo lodoso, mas também em pântanos em condições inóspitas, a sua resiliência e beleza conferiram-lhe um caráter místico, e no Oriente simboliza a pureza, o crescimento espiritual, e o divino. 

O chá de flor de lótus produzido no Vietname é um dos chás mais apreciados desse país, há relatos de que este terá sido criado durante a dinastia Nguyen para deleite do Imperador Tu Duc (1847-1883). De acordo com a lenda, os súbditos do Imperador remavam de noite para junto das flores de lótus, descerravam cuidadosamente as suas pétalas, e colocavam no seu interior o chá verde, de seguida atavam as corolas com fitas de seda. Pela manhã, voltavam ao lago para recolher o chá verde enriquecido com o perfume doce e subtil do lótus. 

Atualmente estima-se que apenas cerca de trinta famílias vietnamitas preservem este método tradicional de aromatização, considerando-o uma arte. 

Tendo como base o chá verde vietnamita Thai Nguyen (nome da região de origem), o chá de lótus possui cor âmbar, notas florais e um sabor vegetal doce com um travo final a sementes de anis.