CHÁS EXÓTICOS

Beber chá é uma experiência sensorial única e desde logo um convite à viagem. Cada chá tem uma história para contar, desde o terroir aos rituais de preparação e degustação, conferindo-lhe um charme e um mistério irresistíveis. Existem chás que nos surpreendem pelo exotismo dos seus aromas e sabores ou por revelarem costumes e tradições de lugares longínquos. É o caso dos chás que chamamos exóticos: chás aromatizados ou misturas, que nalguns casos remontam a tempos antigos, como o chá de manteiga do Tibete, e que nos levam, através da sua degustação, numa viagem ao encontro de outras culturas e mundividências. 

Ervas aromáticas, especiarias, óleos essenciais, aromas fumados, raízes, sal, leite e manteiga, são combinados com chás puros com mestria. Se é certo que existe um mundo de chás exóticos por descobrir, há alguns que pelas tradições que protagonizam, e por serem oferecidos em rituais de boas-vindas, vale a pena conhecer.

CHÁ INDIANO (CHAI)

Preparado a partir de folhas de chá preto, e uma mistura de especiarias como a canela, o gengibre e o cravo-da-índia, (ou outras como a estrela-de-anis, cardomomo, pimenta preta e noz moscada, dependendo das tradições) tem habitualmente um gosto denso e balsâmico, e um aroma envolvente que nos desvenda um pouco do mistério e dos sabores da Índia. 

Igualmente popular neste país, existe ainda o masala chai: ao chá preto e especiarias junta-se o leite gordo ou o leite condensado.


CHÁ DE MANTEIGA OU PO CHA DO TIBETE

O chá terá chegado ao Tibete no século VI, vindo de Yunnan. Neste período o chá era transportado em caravanas que percorriam longas distâncias, para garantir a sua conservação era prensado em formatos diversos (bolacha, tijolo, etc.) - este tipo de chá chegou aos nossos dias e é conhecido como Pu-erh

Mantendo a tradição desses tempos o chá de manteiga do Tibete é preparado a partir de chá prensado, após horas de decocção obtém-se o chaku, um chá forte a que se junta o sal e a manteiga de iaque e por vezes também o leite, a mistura é batida num batedor de manteiga tibetano ou chandong, para que fique com uma textura cremosa. 

Com estatuto de bebida nacional, este chá é muito apreciado pelos tibetanos, e consumido ao longo de todo o dia. Se estiver a planear uma visita ao Tibete é certo que será convidado a beber um Po Cha: uma ancestral receita de montanha criada para enfrentar o frio dos Himalaias e reconfortar a alma dos viajantes.       



CHÁ LAPSANG SOUCHONG 

Originário de Zheng Shan, no Monte Wuyi, na região de Fujian (China), é um chá preto fumado, também chamado de Pushan, com vários séculos de história. Considerado por muitos o verdadeiro chá da China, é amado ou odiado no Ocidente: fruto de um processo de oxidação minucioso, que termina com a secagem das folhas em cestos de bambu envoltos em fumos de madeira de pinho, o que lhe dá um intenso aroma fumado e um sabor peculiar, é um chá a que ninguém fica indiferente. 

Apesar das suas folhas enroladas terem uma cor escura, a sua infusão exibe límpidos tons quentes de um pôr de sol longínquo.    

CHÁ DE MENTA MARROQUINO OU ATĀY

Oferecer chá de menta aos convidados é um gesto de hospitalidade e de convivência social muito arreigado, não apenas em Marrocos, mas também noutros países árabes. O chá de menta marroquino nasceu do encontro da tradição de beber uma infusão de menta, que existia nos países do Magrebe, com a chegada do chá no final do século XIX.

Feito com chá verde chinês Gunpowder, chá granulado (a lembrar esferas de chumbo ou “pólvora” como o nome sugere) de sabor encorpado e ligeiramente adstringente, folhas de menta frescas e uma quantidade generosa de pain de sucre (açúcar cristalizado em formato cónico, que terá estado na origem do nome dado ao morro do Rio de Janeiro), resulta numa mistura doce e refrescante.

Este chá é fruto de um ritual de preparação aparatoso, por tradição, executado pelo patriarca da família ou em sua representação pelo filho mais velho.