RITUAIS DO CHÁ

CHANOYU A CERIMÓNIA DO CHÁ JAPONESA 


Chanoyu é o termo que designa a cerimónia do chá japonesa. Num primeiro olhar impressiona por ser um ritual meticulosamente coreografado, onde cada gesto tem um tempo próprio, cada objeto uma aura especial, e tudo o que acontece terá de obedecer a um guião, um tanto rígido. Mas logo intuímos que o gesto rigoroso é apenas um meio, e o que se revela diante de nós é, sobretudo, a criação de um momento único de partilha e contemplação que envolve os participantes, e em que é servido o chá verde japonês matcha. Também conhecida como chado que significa “o caminho do chá”, esta celebração permite ao anfitrião oferecer aos seus convidados um encontro ímpar e uma experiência memorável no percurso de vida de cada um deles.

A sensibilidade estética, o gosto pelas artes e o respeito pela natureza, próprios da cultura japonesa, estão presentes a cada passo da chado. Desde o trilho ajardinado (roji) que normalmente integra a tradicional casa de chá nipónica (sukiya), até ao mais ínfimo detalhe que compõe o ambiente da sala onde se toma o chá - arranjos florais, pintura e caligrafia expostas, qualidade da água e dos utensílios do chá a utilizar – tudo é cuidadosamente preparado pelo anfitrião e possui uma expressiva dimensão simbólica.

O conceito de purificação

O conceito de purificação também acompanha toda a cerimónia, quer pelo significado da fonte de pedra onde inicialmente os convidados lavam as mãos, libertando-se das impurezas do mundo exterior, quer pelos gestos de purificação dos objetos que pontuam o acontecimento.

O anfitrião recebe os convidados cumprimentando-os com uma vénia e conduz todo o ritual com serenidade e harmonia. A celebração pode durar até quatro horas, se incluir também uma refeição ligeira (kaiseki) ou cerca de uma hora, se contemplar apenas a cerimónia principal (gozairi), em que são servidos os doces tradicionais japoneses (wagashi) e o chá verde japonês em pó, o matcha

Tal como início, no fim da cerimónia os objetos voltam a ser limpos pelo anfitrião, e a encerrar o ciclo este agradece aos convidados a sua presença.

A simplicidade e beleza dos utensílios

Selecionados tendo em mente simplicidade e beleza, alguns dos utensílios mais emblemáticos deste ritual são: o lenço de seda ou fukusa, utilizado pelo anfitrião para purificar os outros objetos, o pote lacado ou natsume onde é guardado o matcha, a colher de bambu ou chashaku para retirar o chá do pote, a concha de bambu ou hishaku usada para extrair água fervente da panela de ferro ou Kama, o batedor de chá em bambu ou chasen para misturar o matcha na água, e a taça de chá ou chawan onde é servido o chá.

Princípios e origens da cerimónia

Tendo como princípios harmonia (wa), respeito (kei), pureza (sei) e tranquilidade (jaku) esta cerimónia pretende ser uma experiência de desenvolvimento espiritual, com efeitos práticos no quotidiano dos seus participantes.

Com raízes no budismo zen e inicialmente praticada em mosteiros, casas mais abastadas e por samurais, foi na segunda metade do século XVI que a chanoyu foi oficializada pelo mestre Sen Rikyu, e os seus princípios estabelecidos. Desde então tem vindo a ser divulgada por descendentes do mestre através da Fundação de Chado Urasenke.

O chá como caminho na atualidade

Entre as várias escolas de chado existentes na atualidade a Urasenke, de Quioto, liderada pelo grão mestre Sen Soshistsu XVI, pertencente à 16ª geração de herdeiros de Sen Rikyu, é a mais reconhecida a nível internacional.

A ideia do chá como caminho ou estilo de vida, normalmente suscita a curiosidade dos apreciadores de chá e constitui um convite a leituras interessantes, ficam por isso algumas sugestões: O livro do chá de kakuzo Okakura, Tea Life, Tea Mind de Sen Shoshitsu XV e The Tea Ceremony de Sen Tanaka.