BENEFÍCIOS DO CHÁ



As propriedades terapêuticas do chá têm sido reconhecidas e elogiadas ao longo dos séculos. Esta bebida milenar, que terá sido descoberta cerca do ano 2737 a.C. pelo imperador Shen Nong, - conhecido historicamente como «pai da agricultura» e como pioneiro da medicina chinesa - era inicialmente consumida sobretudo pelas suas virtudes medicinais.

Se toma a sua chávena de chá pelo prazer que esta lhe proporciona, vai gostar de ler este artigo, é que para além dessa sensação de bem-estar, esta bebida faz maravilhas pela saúde.

Testemunhos históricos sobre chá e saúde 

Lu Yu (século VIII) conhecido como «deus do chá» e mestre de chá, autor da primeira grande obra sobre esta bebida (Cha Jing ou O Clássico do Chá) escrevia o seguinte: «se tivermos muita sede ou sofrermos de opressão no peito, dores de cabeça, irritações oculares, falta de força nos quatro membros ou dores nas cem articulações, bastarão quatro ou cinco tragos».

Mais tarde, quando o chá começa a ser servido nos cafés europeus, como acontece em Londres, em meados do século XVII, no café de Thomas Garraway, num folheto informativo podia ler-se: «o chá torna o corpo ativo e bem disposto; elimina as dores de cabeça e as vertigens; limpa o baço e ajuda a dissolver as pedras e areias dos rins; ajuda os que têm dificuldade em respirar; torna a visão mais clara; remove a lassitude e purifica o fígado».

O desenvolvimento da ciência veio permitir a realização de inúmeros estudos em torno do chá, em diversos países do mundo. Em 1991 no I Simpósio internacional sobre o chá e a saúde realizado em Nova Iorque foi defendido que «o chá – especialmente o chá verde do Extremo Oriente – pode tornar-se uma potente e popular arma de guerra contra doenças crónicas».  

Componentes do chá e os seus efeitos na saúde

Pesquisas revelaram que uma percentagem mínima do oxigénio consumido naturalmente pelas células é transformada em radicais livres, responsáveis pelo processo de oxidação celular, e pelo envelhecimento do organismo. Este processo pode ser acelerado por factores como a poluição, a ansiedade, a má alimentação, o tabaco, e outros factores negativos ou compensado por substâncias antioxidantes e por um estilo de vida saudável.

Nas últimas décadas vários estudos de laboratório têm incidido sobre a relação entre os componentes do chá e os seus os efeitos na saúde.

Atualmente sabe-se que o chá, em especial o chá verde, é rico em polifenóis (catequinas), vitaminas (C, A, B1, B2, B3, E, P e K) sais minerais (potássio, manganês, fluoreto, ferro, potássio, cálcio, magnésio, zinco), possui quantidades mínimas de alcaloides (teína, teofilina e teobromina), aminoácidos (L-teanina), enzimas, e óleos essenciais, composição que no seu conjunto ajuda a estimular o sistema imunitário e a neutralizar os efeitos dos radicais livres.

Graças ao elevado poder antioxidante dos seus componentes, em especial das catequinas, fitonutrientes da família dos polifenóis que ajudam a proteger as células dos órgãos vitais e a eliminar as substâncias tóxicas do organismo, o chá, em particular o verde, tem um papel ativo na prevenção de várias doenças:

·       doença cardíaca;

·       aterosclerose;  

·       nível elevado de mau colesterol (LDL);

·       hipertensão;

·       cancro;

·       diabetes;

·       osteoporose;

·       artrite;

·       cárie dentária.

 

Para além deste carácter preventivo, o chá oferece ainda outros benefícios à saúde:

 

·       melhora a visão e a saúde dos olhos;

·       acalma a ansiedade e aumenta a capacidade de concentração;

·       acelera o metabolismo e ajuda a queimar calorias;

·       tem um efeito depurativo sobre o fígado, o baço e a vesícula biliar;

·       contribui para a regeneração e rejuvenescimento da pele;

·       ajuda a reduzir a retenção de líquidos;

·       possui um poder adelgaçante e anticelulítico.

 

Teína: quantidade e propriedades da cafeína do chá  

A quantidade de teína presente numa chávena de chá é em média de 40 a 50mg, um teor reduzido relativamente a uma chávena de café que possui entre 70 a 130mg de cafeína.

Embora a teína presente no chá seja afinal o mesmo alcaloide presente no café, a composição química do chá, rica em catequinas, vitaminas, minerais e aminoácidos como a L-teanina, faz com que esta substância seja melhor tolerada no chá do que no café.   

É que se a teína têm um efeito estimulante sobre o sistema nervoso central, a L- teanina produz efeitos tranquilizantes, reduzindo o stress e a agitação mental, sem causar sonolência. É por isso que o chá melhora a capacidade de concentração e era usado pelos monges budistas nas suas horas de meditação.

A sinergia que se estabelece entre os componentes do chá faz com que a teína tenha um efeito suave no organismo: graças a uma libertação mais lenta no sangue, do que no caso do café, o que resulta numa ação estimulante mais equilibrada e duradoura.

Um facto interessante é que muitas vezes um chá como maior teor de teína possui também maior quantidade de todos os outros componentes que vão compensar a ação deste estimulante. Muitas vezes chás de grande qualidade, constituídos apenas por rebentos e folhas novas, resultantes da primeira colheita do ano, ainda que pouco oxidados, como é o caso de alguns chás brancos ou verdes, têm um teor de teína superior a um chá preto, mas também possuem mais substâncias antioxidantes e L-teanina que lhe conferem um elevado poder terapêutico. 

De onde se conclui que o teor de teína de um chá, não é, por si só, o factor determinante do seu valor medicinal.

O modo como prepara o chá terá também influência no teor de teína da sua chávena, procure respeitar a temperatura da água e o tempo de infusão recomendados na embalagem: uma água entre 60 a 70ºC utilizada num chá verde, vai provocar menos libertação de teína que uma água a 90ºC, além de preservar a integridade das suas catequinas e os seus efeitos benéficos; respeitar o tempo de infusão 2min também evita a libertação excessiva de teína, mas garante a libertação de L-teanina suficiente para compensar o seu efeito estimulante.

Para evitar possíveis efeitos secundários do consumo excessivo de teína, como nervosismo, náuseas ou insónia, o segredo é a moderação: por norma o consumo diário não deve exceder as três ou quatro chávenas de chá. No entanto, este limite não é rígido, esteja atento à resposta do seu corpo e estabeleça o limite que melhor se adapta à sua constituição física, saúde e estilo de vida.

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